Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Ó Srª Engenheira!

Engenheira civil com uma grande afinidade com a sustentabilidade. Nesta minha casa virtual quero partilhar convosco o mundo da construção de uma forma acessível e agradável, a pensar no conforto de todos e no ambiente.

Ó Srª Engenheira!

Engenheira civil com uma grande afinidade com a sustentabilidade. Nesta minha casa virtual quero partilhar convosco o mundo da construção de uma forma acessível e agradável, a pensar no conforto de todos e no ambiente.

Engenharia no Feminino - Life Inc.

Não quero deixar terminar o mês de maio sem uma entrevista no feminino. A minha vítima é a Marta d'Alte, arquitecta e uma mãezona, é também autora do blog aqui da comunidade sapo Life Inc., que contribui para a beleza feminina e lifestyle, para além dos outros blogues que tem, um deles que fala das peripécias das mãezonas como ela. Vale a pena, sigam-na.

 

Aqui, deixa o seu testemunho de como é ser arquitecta e a sua visão perante a construção.

 

noname.png

 

Fala-me sobre o teu percurso académico e profissional? O que te levou a escolher arquitectura? 

Sempre fui muito virada para as artes mas não me lembro exatamente quando decidi que havia de ser arquiteta. No 10º ano segui artes e arquitetura foi a escolha óbvia. Entrei em Arquitetura na Universidade do Minho em 1999, depois de ter falhado a primeira fase das candidaturas por me encontrar internada no hospital. Acabei o curso em 2006, fiz o estágio de acesso à Ordem dos Arquitetos e desde aí que tenho trabalhado sempre na área.

Neste momento trabalhas por conta própria ou por conta d'outrem? Que tarefas desempenhas diariamente?

Neste momento trabalho numa Câmara Municipal, depois de ter trabalhado como freelancer durante 4 anos. Trabalho no urbanismo e sou gestora de processos. Paralelamente, continuo a exercer atividade como freelancer, fora da autarquia.


O que mais te realiza na arquitetura?

A modelação do espaço, sobretudo ao nível da reabilitação urbana. Pegar no antigo e criar novas vivências para aquele espaço.


Os teus projetos têm alguma vertente ecológica, ou seja, há sempre consideração por princípios bioclimáticos, na poupança de água, de energia, na escolha de materiais, no aconselhamento ao cliente sobre questões sustentáveis, como a escolha de empreiteiros da zona, de materiais com rótulo sustentável? 

Não é uma área que domine, confesso. Claro que me tento manter informada mas julgo que no nosso país temos ainda um longo percurso nessa área. Quanto mais não seja, pelo facto de ainda termos muito aquela mentalidade de que o sustentável é caro…

Tens contacto direto em obra? Sentes alguma discriminação ou que o teu trabalho seja mais dificultado do que os colegas homens?

Que boa pergunta! Tenho vários episódios caricatos passados em obra, desde levar piropos e os senhores nem saberem onde se haviam de enfiar quando se aperceberam que eu era a fiscal da obra até reuniões de projeto em que tive de me impôr porque sentia que a minha opinião estava a ser desvalorizada por ser mulher e jovem. Infelizmente, temos uma área da construção civil com protagonistas maioritariamente masculinos…para além disso, os “mais antigos” têm ainda uma visão totalmente machista. Mas também nos cabe a nós, mulheres, mudarmos as mentalidades e darmo-nos ao respeito. Lembro-me de uma colega que ia de tacões de agulha para as obras e isso era simplesmente ridículo.

És mãe de duas crianças amorosas, é-te difícil conciliar maternidade e trabalho? Foste alvo de alguma discriminação por seres mãe - gravidez, licença maternidade, faltar porque os filhotes estão doentes ou têm que ir ao médico? 

Fiquei desempregada quando estava grávida da mais velha. Quando nasceu, estando em plena crise da construção civil, combinámos que eu ia ficar em casa, trabalhando como freelancer. Com o retomar do sector, fui ganhando vários projetos mas entretanto comecei a trabalhar em funções públicas. Entretanto, tivemos o segundo filho e tirei licença alargada. Neste momento, trabalho com redução de horário. Tenho plena noção que, pelo facto de trabalhar no público, tenho uma série de direitos adquiridos que nem sempre podemos usufruir no privado. Há imensa pressão patronal e a maior parte das mulheres (e homens!) faz uma autêntica ginástica e abdica de muitos dos seus direitos porque correm o risco de serem despedidos se usarem esses mesmos direitos. Aos que dizem que na função pública é que é bom trabalhar, dou-lhes razão porque já estive no privado. Mas como costumo dizer, não é a função pública que está muito bem, é o privado que está muito mal.

E o teu blog, serve um bocadinho de distração da vida profissional e familiar certo? Tens algum método de organização para lidares com tudo?

O blog já me acompanha há tantos anos (10!) que já nem me imagino sem ele. Já faz parte de mim e do meu dia a dia. Geralmente, reservo algumas horas ao fim de semana para organizar os posts da semana…Nem sempre é possível mas é fundamental para conseguir postar.

Tens alguma frase ou algum lema que utilizes na tua vida profissional e que sirva de inspiração a outras mulheres?

Frase não tenho propriamente mas diria que um dos meus lemas é empenhar-me sempre naquilo a que me proponho. Ou seja, fazer bem mesmo aquelas coisas que não gostamos tanto.

 

Muito Obrigada Marta! 

O futuro da construção civil

No outro dia, quando estava em obra, falava com o carpinteiro sobre o volume de trabalho que estamos a sentir. "Eu tenho uma equipa de 15 trabalhadores e quase só tenho um por cada obra. Há falta de carpinteiros e olha, vou aproveitando, porque daqui a nada, isto acaba oura vez." - dizia ele.

 

Olhando para a equipa da empresa onde trabalho, temos meia dúzia de jovens portugueses (na casa dos 30 e 40 anos), os outros são de nacionalidade brasileira que vêm em busca de legalização e outros são mais velhos, têm anos de trabalho na construção e estão a desejar a reforma para aliviar o sacrificio que fazem diariamente. Mas são estes, que neste momento estão a garantir que a construção se faça e se faça bem.

 

A geração anterior à minha não vai querer entrar neste mundo de trabalho manual quando têm todo um mundo digital pela frente. É um cenário que fará temer o futuro da construção civil pois é certo que a construção é feita de ciclos e naturalmente, mais ano menos ano, teremos um decéscimo de obras e portanto um factor motivador para procurar trabalho noutras áreas. 

 

Seria importante repensar a forma como se mostra a construção civil às gerações aos mais jovens e aliar  mundo digital aos métodos construtivos e a novas tecnologias para que a construção se continue a fazer cada melhor e se torne numa carreira profissional.

 

construction-young.jpg

 

 

Engenharia no Feminino - SEI by Susana

Hoje, Dia Internacional da Mulher, dou início a uma rubrica chamada Engenharia no Feminino. Com ela pretendo dar a conhecer testemunhos de engenheiras que constroem todos os dias, com garra, determinação e esforço, um mundo cada vez melhor.

 

Susana Lucas, criadora do SEI by Susana, é a minha primeira convidada. Conjuga Sustentabilidade, Engenharia e Inovação num projeto de partilha de conhecimento e ideias para obter o grande objetivo de fazer mais e melhor! A Susana é mais um exemplo feminino que demonstra esforço, resiliência e sucesso no mundo da engenharia.

 

logo-retina.png

 

 

De uma forma breve, conte-nos o seu percurso profissional?

Depois de tirar a primeira licenciatura, fui logo para doutoramento. Em seguida alguns anos em obras de ETAR, tanto no dono de obra, como na fiscalização e também projeto, por isso no entretanto especializei-me na área tanto com a licenciatura em engenharia civil, como mestrados e pós-graduações. Entretanto comecei a dar aulas no ensino superior, fiz o segundo doutoramento, e sou consultora individual.



Porque escolheu tirar engenharia civil depois de engenharia química?

Porque profissionalmente comecei a ter trabalhos de acompanhamento de obras nas ETAR e gosto muito de aprender.



Foi difícil entrar no mercado de trabalho? 

Acho que não, foi tudo acontecendo. Acreditei e fui aproveitando as oportunidades.

 

 

Tem estudado e trabalhado muito em projetos e iniciativas, viaja e conhece outras perspetivas e ações. Acha que Portugal está num bom caminho para a sustentabilidade na construção? 
É um caminho longo, mas considero que cada vez mais existe interesse e necessidade, por isso vamos a isso!

 


Que projeto ou projetos lhe deu mais satisfação em participar até agora?

Num dos projetos de ETAR, em que estava no dono de obra, em que consegui que o projeto fosse mais sustentável, sendo o projeto do empreiteiro (empreitada de conceção-construção) e sem custos adicionais.

 

 

Para si a construção será um dia algo bem mais evoluído? Não falo em termos de produtos e tecnologias, falo mesmo na questão de obra e mão de obra qualificada? Que pontos deveriam ser melhorados? Tem alguma situação caricata que nos possa contar?

Já há algum tempo que não estou em obra mas considero que será sempre um desafio porque são pessoas com diferentes qualificações a fazerem para o mesmo.

Uma vez numa obra questionei alguém que estava a executar algo mal e disse-me: mas Engenheira eu fiz sempre assim… e respondi: então fez sempre mal e expliquei numa linguagem simples o porquê! E rimos os dois.

 

Ser mulher é uma grande vantagem numa área em que conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo é uma mais-valia!

 

 

Assistimos a programas televisivos que publicitam marcas de empresas de venda de materiais de construção e o DIY e mostram o quão fácil e rápido pode ser feita uma obra. Para todos os que são leigos nestas matérias da construção e da sustentabilidade na construção, que papel nós engenheiros deveríamos ter para a sensibilização destes temas e de certa forma mostrar a realidade desta área? 

Gosto sempre de explicar como fosse eu que estivesse a ouvir. Se nós nos aproximarmos da linguagem e expetativas dos outros, torna-se sempre mais fácil passar a mensagem. Os engenheiros têm que ser a “ponte” entre a parte técnica e o que as pessoas realmente precisam (que por vezes não é o que querem, por isso tem que ser explicado de uma forma simples).

 


É orientadora de teses de mestrado. Que dicas poderia dar a quem, como eu, está no início da elaboração da Tese Final de Mestrado? 
Tem que ser um tema que realmente se identifiquem, que gostem, para conseguir ir até ao fim. De preferência quanto mais prático, ou aplicável, mais atrativo será.



Como é para si estar numa área maioritariamente de homens? Acha que ainda há discriminação de género? Teve alguma situação constrangedora ou de discriminação?
Discriminação considero que existe e vai existir sempre. Contudo as pessoas menos qualificadas são as que nos respeitam mais. Já tive um colega, Engenheiro, que me disse: Você não é Engenheira… ao qual respondi: tem toda a razão, tenho duas licenciaturas de engenharia e estou inscrita nos dois colégios e tenho um doutoramento (na altura só tinha um), mas considero que era falta de respeito da minha parte obrigar a tratar-me por Doutora Engenheira Engenheira, por isso se me tratar apenas por Engenheira está tudo bem.



Que conselhos pode dar a mulheres (engenheiras ou não) que ainda não entraram no mercado de trabalho? E às que, como eu, ainda tropeçam constantemente à procura do seu "lugar ao sol"?

Que tentem fazer o que gostem. O “lugar ao sol” considero que não existe. Existe estarmos sempre a ver o lado positivo da situação que temos. O tropeçar vai acontecer sempre em toda a carreira profissional, mas isso é bom, faz crescer e faz querermos ser cada vez melhores.

 

 

Diga-me uma frase inspiradora de mulher engenheira para mulher engenheira.

Para mulheres que gostem de aprender – sempre – evoluir, partilhar conhecimento, a Engenharia é do melhor que existe! Ser mulher é uma grande vantagem numa área em que conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo é uma mais-valia!

Como uma vez alguém me disse ter um Engenheira em obra é sempre vantajoso porque ninguém lhe dá uma palmadinha nas costas!

 

 

Muito Obrigada Susana.

Espero que como eu tenham gostado deste testemunho no feminino.

 

 

dia mulher.png